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28/10/2019

Monitoramento da fauna de mamíferos realizado por pesquisadores registra 32 espécies na Serra do Amolar

Macaco-da-noite foi uma das espécies registradas na pesquisa

Monitoramento da fauna de mamíferos realizado por pesquisadores registra 32 espécies na Serra do Amolar

 

 

Trabalho de monitoramento da fauna de mamíferos (mastofauna) realizado por pesquisadores do Instituto Homem Pantaneiro (IHP) e parceiros nas áreas da Rede de Proteção e Conservação da Serra do Amolar (RPCSA), localizada na borda oeste do Pantanal, registrou a existência de 32 espécies de mamíferos na região do Amolar.

A pesquisa que foi realizada no período de março de 2018 a fevereiro de 2019 objetivou monitorar a biodiversidade da RPCSA, com o apoio da Fundação Grupo Boticário. Com o uso de armadilhas fotográficas, foi monitorada a mastofauna da RPSCA buscando atualizar a lista das espécies ocorrentes na área de estudo; destacar espécies constantes nas listas oficiais de fauna ameaçada; e destacar espécies com distribuição restrita a outros biomas brasileiros.

De acordo com o Pesquisador e Coordenador do Projeto Felinos Pantaneiros do IHP, o médico veterinário Diego Francis Passos Viana o estudo foi realizado em doze campanhas de cerca de sete dias cada nas áreas de Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN), as fazendas Engenheiro Eliezer Batista e Acurizal, que são integrantes da RPCSA, além do Parque Nacional do Pantanal Matogrossense. As campanhas foram conduzidas por meio de busca ativa (registro de visualizações, vocalizações, tocas, rastros e fezes) nas trilhas e estradas da área de estudo e por meio de armadilhagem fotográfica, onde um número variado de unidades (13 a 14) foi instalado na área de estudo, preferencialmente ao longo das trilhas e estradas.

“Das 32 espécies de mamíferos registradas, três possuem distribuição restrita no Brasil e nove estão ameaçadas, o que demonstra a importância do mosaico de Unidades de Conservação para a conservação da mastofauna”, comentou o pesquisador Diego.  Os mamíferos e seus vestígios foram identificados por meio do Guia de Rastros e outros vestígios de mamíferos do Pantanal de Paulo Borges e Walfrido Tomás, publicado em 2004.

O trabalho foi desenvolvido por meio de busca ativa e armadilhagem fotográfica

Resultados da Pesquisa

O pesquisador explicou que espécies não detectadas no levantamento da pesquisadora Grasiela Porfirio, em trabalho publicado no ano de 2014, foram incluídas na atual listagem de espécies de mamíferos. Espécies como gambá-de-orelha-branca, o tatu-bola e outras menos conhecidas, como Clyomys laticeps, foram registrados pela primeira vez na RPPN Eliezer Batista por meio de armadilhagem fotográfica.

À exceção de Clyomys laticeps, espécie de roedor, todas as demais espécies citadas foram detectadas pelo biólogo George Schaller em 1983 na então denominada Fazenda Acurizal, demonstrando assim o alto nível de conservação da área do Amolar, apontada em muitos trabalhos como um importante corredor de biodiversidade do nosso continente.

Do total de espécies registradas nesse estudo, oito encontram-se na categoria de vulnerável a extinção, enquanto seis encontram-se sob algum grau de ameaça a nível global, segundo as listas publicadas pela IUCN e também a lista nacional de espécies ameaçadas elaborada pelo Ministério do Meio Ambiente e ICMBio.

“A onça-pintada é uma das espécies ameaçadas em território brasileiro e nas outras áreas de sua ocorrência, assim como a anta, o tatu-canastra, o tamanduá-bandeira, e a ariranha vulneráveis ou ameaçados no Brasil e em outros países de ocorrência. Já a onça-parda, o macaco-prego e o gato-mourisco, são espécies ameaçadas somente no Brasil”, comentou Diego.

A anta é uma das espécies ameaçadas em território brasileiro

Também é valido ressaltar que na Serra do Amolar foram registradas espécies de distribuição restrita. Por exemplo, segundo a IUCN, o Tatu Bola (Tolypeutes matacus) e o macaco-prego (Sapajus cay)  são espécies restritas a fauna dos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e são encontrados na Serra do Amolar. Ou seja, caso um pesquisador tiver interesse em uma espécie como o Macaco Zogue-Zogue (Plecturocebus pallescens), que se restringe à região da fronteira entre Brasil e Bolívia (VEIGA et al., 2018), pode procurar a Rede de Proteção e Conservação da Serra do Amolar para desenvolver sua pesquisa em uma das áreas preservadas.


Esse trabalho é resultado de uma equipe multidisciplinar que atua no IHP, o que assegura diferentes olhares. Participaram os pesquisadores Diego Francis Passos Viana, médico veterinário, Letícia Larcher e Sergio Barreto, biólogos, Josiel de Oliveira Coelho, técnico em informática, Wagner Tolone, geógrafo, além das consultoras ambientais Simone Mamede e Maristela Benites, do Instituto Mamede, e da  pesquisadora do Programa de Pós Graduação em Ciências Ambientais e Sustentabilidade Agropecuária da Universidade Católica Dom Bosco – UCDB, Grasiela Edith de Oliveira Porfirio. Este projeto de pesquisa contou com o apoio financeiro da Fundação Grupo Boticário (Projeto 1102_2017/2).

Pesquisa registrou a existência de 32 espécies de mamíferos

 
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