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25/10/2019

Curso de combate ao fogo capacita moradores da Serra do Amolar e alerta para a conscientização ambiental

A capacitação foi uma iniciativa da Rede

Moradores ribeirinhos da região da Rede de Proteção e Conservação da Serra do Amolar (RPCSA) concluíram nesta quarta-feira, 23 de outubro a capacitação de técnicas de combate ao fogo e de primeiros socorros ministrados por equipes da Defesa Civil Estadual e do Corpo de Bombeiros de Corumbá. O curso foi uma iniciativa da Rede e atendeu aproximadamente 300 ribeirinhos que residem na região.

A capacitação foi de suma importância principalmente num momento em que as queimadas no Pantanal tem alto índice. Dados da Defesa Civil registrados pelo satélite de referência do INPE detectaram 8093 focos no Pantanal em 2019, até o mês de outubro, contra 2380 o ano todo de 2018, resultando em um aumento de 340% em relação ao ano passado. A média histórica de 1998 a 2018 é de 3.086 focos – o pico foi em 2005, quando foram registrados 9.881 focos de queimadas no bioma neste período.

Entre todos os municípios do país, Corumbá foi o que mais registrou focos de incêndio em 2019. Cerca de 250 bombeiros militares e 100 brigadistas do Prevfogo trabalham na operação de combate as queimadas no Pantanal.

O Coordenador Estadual da Defesa Civil, tenente-coronel Fábio dos Santos Coelho Catarinelli disse que o curso na Serra do Amolar é uma forma de prevenir futuros incêndios florestais. Na região que em 2008 sofreu com grandes incêndios. “Estive em 2008 no comando da operação de combate que na época envolveu um efetivo de mais de 60 pessoas. Foram 23 dias de incêndio dos quais 15 estive na reserva Acurizal. Esta experiência reforçou a importância de trabalhar preventivamente para a proteção dessas reservas que abrigam uma vasta quantidade de espécies da flora e fauna que devem ser protegidas”, ressaltou.

O Instituto Homem Pantaneiro (IHP) que analisa os focos de incêndio do bioma pantanal com o uso do sensoriamento remoto e geoprocessamento, usando o estimador de densidade de Kernel, possui dados que revelam que nos últimos 18 anos, foram quantificados cerca de 558 mil focos de calor neste bioma, detectados pelos diversos sensores que monitoram os focos de queimadas em todo o Brasil. Em 2019 até o momento já são 22 mil focos no bioma pantanal.

A partir da análise feita dos números de focos de incêndio por estado, fica evidente que a maioria dos focos se encontram no estado do Mato do Grosso do Sul (MS), levando em consideração que a área territorial do pantanal é maior que no estado de Mato Grosso (MT). Somente no ano de 2010 que o número de focos de incêndio do MT foi maior que no MS, por conta de uma anomalia nos eventos climáticos na região. Também é possível observar grande ocorrência de focos na região oeste do Pantanal, na divisa entre Brasil e Bolívia. Muitos focos que se originam no país vizinho não são controlados e se alastram até áreas do pantanal brasileiro, que nesta região, são susceptíveis a grandes queimadas.

Resultados analisados pelo IHP mostram que focos de incêndio ocorrem todos os anos, entretanto, há variação sazonal na ocorrência com maior frequência de focos de incêndio no período de seca do Pantanal e no período onde a média de chuva é menor. O mapeamento a partir da densidade e o estudo do levantamento espaço-temporal das queimadas no pantanal é de extrema importância, pois permite fazer a análise de onde o fogo tem ocorrido com maior frequência, qual a intensidade e proporção em que ocorre.

O curso foi ministrado por equipes da Defesa Civil Estadual e do Corpo de Bombeiros de Corumbá

Para o Diretor de Relações Institucionais do IHP, Angelo Rabelo os resultados obtidos reforçam a necessidade de preservação do bioma e atenção frente às queimadas, até mesmo pelo ritmo acelerado de crescimento de desenvolvimento da Bacia do Alto Paraguai (BAP) que, direta ou indiretamente, tem influenciado no regime hídrico e na biodiversidade do Pantanal.

“As queimadas ocorrem todos os anos e sua intensidade não segue um padrão, entretanto, estão extremamente ligadas ao regime hídrico da região, sendo menos frequentes no período úmido provocado pelas cheias e a aplicação do estimador de densidade Kernel, possibilitou a análise do espacial e distribuição dos focos de incêndio, gerando informações qualitativas acerca do pantanal”, afirmou.

O uso de geotecnologias, técnicas e aplicações de sensoriamento e remoto e geoprocessamento tem se tornado um grande aliado no auxilio e quantificação no monitoramento dos focos, sendo importante para análise das áreas onde ocorrem as queimadas, principalmente nas áreas de difícil acesso como o Pantanal.

 

 
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